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CLASSE É CLASSE
Ary Quintella

Carlos Lyra - Carlinhos - é dos últimos cariocas existentes, embora tenha vivido longos anos fora do país, tocado por razões ideológicas.

Mas classe é classe e não perdeu jamais a sutil ironia da nossa terra a jovialidade enxertada de doçura do carioca, a vontade de viver, a de cantar, a de compor. Alegremente, virilmente e participantemente. E com toda a dignidade pessoal preservada, como vi acontecer nas cidades de Porto Alegre e Rio Grande, quando Subdesenvolvido (de parceria com Chico de Assis) foi aclamado por jovens estudantes, assim como foi aclamado por nós - ao começo dos anos 60, quando acreditávamos intensamente em nosso pais.

As rajadas de metralhadora que picotaram a antiga sede da UNE, lá no Flamengo, também atiraram com Carlinhos para o México, de onde regressou - um dia- casado com Katherine, a suave Kate, depois de rodar pelo mundo, como conjunto de Stan Getz.

Profundamente lúdico, ajudou a criar a música, tipo carioca, que até hoje é marca registrada do Brasil nos países lá de cima: a Bossa Nova; apenas outra faceta da revolução cultural e estética acontecida no pais ao final dos anos 50 e início dos 60, revolução que não ocorreu politicamente pelas razões sabidas. .

Este companheiro de tantos anos que diz: "Sucesso é conseguirmos fazer o que julgamos seja o melhor" funciona sem badalações equívocas, com toda a sobriedade e, claro, com todo seu bom-humor. Como faz ao correr todos os dias em torno da Lagoa Rodrigo de Freitas. E desejo, realmente: continue a correr em torno do Lagoa por muitos anos, produza muitas canções e contribua, mais um vez, para a criação de novos Centros Populares de Cultura.

Afinal, classe é classe.

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