Carlos Lyra é o vencedor da 25ª edição do Prêmio Shell de Música

Rio de Janeiro, 10 de maio - A Shell acaba de anunciar que Carlos Lyra é o ganhador do Prêmio Shell de Música 2005. O intérprete e compositor foi escolhido por júri formado pela musicista Liliane Secco, pelos músicos Wagner Tiso e Dado Villa-Lobos e pelos jornalistas Hugo Sukman e Beatriz Coelho.

"Ele é um grande compositor da bossa nova, tem um trabalho fantástico e é um dos poucos de sua geração que não havia sido contemplado. Era preciso fazer justiça à obra dele", resume Tiso.

O Prêmio Shell de Música, que está completando 25 anos, homenageia a cada edição um compositor vivo, que, pelo conjunto de sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento da música popular brasileira.

Desde a sua criação, já reverenciou Chico Buarque, Tom Jobim, Paulinho da Viola, Baden Powell, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Rita Lee e, no ano passado, a dupla Aldir Blanc e João Bosco. A relação de todos os premiados, ano a ano, pode ser consultada abaixo.

Saiba mais sobre Carlos Lyra (Fonte: sites www.carloslyra.com e www.cliquemusic.com.br)

Melodista de destaque, Carlos Lyra surgiu junto com a bossa nova, ao lado de figuras como João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal, seus colegas de juventude. Aliás, Lyra e a bossa nova praticamente se confundem, mas o autor de Primavera sempre preservou sua identidade musical.

A identidade do autor revelou-se nítida logo no primeiro disco, Carlos Lyra - Bossa Nova, lançado em 1959, com clássicos como Quando chegares, Menina e Rapaz de bem. No mesmo ano, três composições presentes neste álbum foram incluídas no disco Chega de Saudade, de João Gilberto: Maria Ninguém, Lobo Bobo e Saudade fez um samba, as duas últimas em parceria com Bôscoli.

Em 1960, musicou filmes e peças, e com Vinícius de Moraes como parceiro, lançou sucessos como Você e eu, Coisa mais linda e Minha namorada. Com o mesmo parceiro, em 63, escreve o musical Pobre menina rica, que virou disco em 64, em que novos sucessos foram lançados como Sabe você?, Primavera, Maria Moita e Samba do Carioca, várias vezes gravada por Jobim. Mas o laço cada vez mais apertado com o teatro e o cinema começa a politizar sua obra. O terceiro disco de Lyra, lançado em 1963, já trazia Influência do Jazz, Aruanda, Maria do Maranhão e Marcha da quarta-feira de cinzas. O samba deixava o apartamento de Zona Sul para subir o morro.

Carlos Lyra se propôs a transformar a bossa do sorriso e da flor numa música mais pé no chão, em sintonia com uma realidade que já começava a dar os sinais da inconstância política. Seu engajamento o levou a dois auto-exílios, um de 1964 a 1971 (ano de lançamento de um LP com participação de Chico Buarque) e outro em 1974, quando radicaliza com o incisivo Herói do medo -disco de letras propositalmente dúbias, que tentavam lembrar que, enquanto a multidão driblava a consciência com os gols da seleção e os lances das novelas, gente era torturada e morta na luta pela democracia.

Preso a uma época áurea, Lyra segue repetidas vezes os caminhos elogiados por Tom Jobim. E esses caminhos são, e sempre serão, trilhas das mais inspiradas da música brasileira.
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